terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O som da Paz

Sons que ecoam a paz!








No dia 28 de janeiro de 2011 o curso de geografia, 3ª fase cursando a disciplina de Geografia Humana juntamente com o professor Ms. Em desenvolvimento regional pela UFSC, Senhor Humberto Aluizio Oliveira visitaram a localidade de Núcleo Celso Ramos no município de Frei Rogério. O local visitado foi o Parque Sino da Paz onde o nobre Kazumi Ogawa sobrevivente da catástrofe da bomba atômica de Nagasaki nos aguardava.
O senhor Ogawa chegou ao Brasil em 09 de abril de 1964, depois de ter visitado outros países no intento de reconstruir sua vida. Já no Brasil passou pelo Rio Grande do Sul, mas a procura de um local que tivesse clima similar ao de sua terra natal veio a plantar raízes em Frei Rogério que na época era distrito de Curitibanos/SC.
Em Frei Rogério o Senhor Ogawa começou a fazer o que mais gostava; trabalhar na agricultura, mais especificamente a fruticultura. Criou matrizes da maça Fuji, da pêra Nashi hoje conhecida nacionalmente. Também desenvolveu o cultivo de cogumelo e participou da ação pela pavimentação do acesso de Curitibanos até Frei Rogério. Nesse momento o senhor Kazumi Ogawa em seu discurso aproveitou para firmar um compromisso de propagação da mensagem de Paz, razão principal da existência do Parque Sino da Paz.
Na mesma localidade ainda vivem mais dois sobreviventes. Seu irmão Waturu Ogawa (80 anos) e sua cunhada Chyo Ogawa(70 anos).
Ao chegarmos em Frei Rogério fomos muito bem recebidos pelo Senhor Ogawa e pelo seu sobrinho Naoki que sempre o acompanha, haja visto que o senhor Ogawa não fala o português fluentemente. Naoki fez então a tradução. No museu da paz, fotos, e quadros que descrevem como foram os momentos no impacto da bomba, bem como o pós bomba e as suas conseqüências contra a cidade e a população. Em uma sala bem montada também vimos um vídeo elaborado por universitários da UNOESC retratando as cenas da guerra e um pouco da vida do senhor Ogawa e seus esforços de homenagear os que faleceram na catástrofe, os que ficaram mutilados e os que ainda sobrevivem com as imagens da destruição em suas mentes.
Mostra o vídeo que no dia 6 de Agosto de 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, a cidade japonesa de Hiroshima foi desnecessariamente bombardeada pela força aérea americana. Três dias mais tarde segue-se o bombardeio de Nagasaki. Sua justificativa era forçar a rendição do Japão, porém, o que ficou evidenciado era que ambas faziam parte de uma verdadeira demonstração de força do armamento nuclear dos EUA. As cidades foram escolhidas por estarem situadas exatamente entre vales, o que facilitaria a avaliação dos danos causados pela nova tecnologia bélica, a qual nunca até então havia sido usada e nem se sabia quais seriam suas conseqüências. Soma-se a isso o fato de que essas cidades nunca sofreram ataques durante a Segunda Guerra, ou seja, eram pouco vigiadas. A detonação da Little Boy, como era chamada a bomba que causou a morte de mais de 250 mil pessoas em Hiroshima, foi ouvida até o alcance das cidades vizinhas. Ela destruiu tudo o que encontrava num raio de dois quilômetros e meio, devastando a vegetação e a estrutura da cidade. Porém, o aporte térmico da bomba teve um alcance ainda maior. A detonação da Fat Man, 2ª bomba lançada sobre Nagasaki causou tanta destruição quanto em Hiroshima. Sobreviventes que sofreram fortes queimaduras devidas á propagação do intenso calor, fora da área de explosão, andavam pelas ruas sem saber o que havia acontecido. A radioatividade se espalhou provocando chuvas ácidas, causando a contaminação da região, incluindo lagos, rios e plantações. Os sobreviventes foram atendidos dias depois, o que ocasionou a morte lenta e agonizante de muitos. Até os dias de hoje os descendentes dos habitantes afetados sofrem os efeitos da radioatividade. Tempos depois a cidade foi sendo reconstruída. Após mais de 60 anos decorridos da tragédia que marcou a história mundial, Hiroshima se transformou numa cidade moderna e desenvolvida, com árvores, prédios, pessoas circulando e carros, como em qualquer outra. Contudo, as lembranças continuam vivas dentro de cada um. Sendo assim foi construído o Memorial da Paz de Hiroshima, uma das atrações mais visitadas no Japão, servindo de apelo à paz e um acervo cultural.
Foram computadas em Nagasaki a morte de 74 mil pessoas que faleceram quase que instantaneamente após a explosão da bomba e das mais de 63 mil que vieram a óbito por causa da radiação e ferimentos causados pelo bombardeio. Em Hiroshima, a última lista de pessoas que morreram no momento da explosão e nos anos posteriores reúne 242.437 nomes. Com isso, o total de mortos pelas duas bombas chega a 376.776 pessoas.
Essa é a mensagem desse homem forte, trabalhador e que se dispõe sempre a repassar a mensagem da paz, da harmonia, da convivência pacifica dos seres humanos no planeta terra. Relata ele em japonês que sempre está pronto a explicar os fatos e as sensações de quem esteve presente no momento da catástrofe da bomba de Nagasaki. Qualquer pessoa que no Parque Sino da Paz compareça será atendido pelo senhor Ogawa, Contudo vale lembrar que as visitas devem ser agendadas através de contato prévio com Naoki, seu sobrinho.No Sino da Paz as pessoas são surpreendidas por um imponente monumento que tem a forma de um pássaro japonês, chamado Tsuru que significa boa sorte, felicidade e saúde. Todos os anos no dia 09 de agosto é realizado a cerimônia da “Batida do Sino”, cerimônia essa que se repete em toda ocasião especial. Vale ressaltar que o Sino foi um presente do governo japonês e no mundo só existem três sinos iguais a este, um está em Hiroshima, outro na sede da ONU nos estados Unidos e um no Parque sino da Paz no município de Frei Rogério/SC.
Nos momentos em que pessoas ou grupos comparecem ao museu; esses são convidados a fazerem parte da cerimônia de Batida do Sino num ato de propagação da mensagem de paz, objetivo maior da existência do parque segundo seu fundador, Kazumi Ogawa.
Os alunos do curso de geografia foram convidados pelo senhor Ogawa para levar o sino até o monumento e realizar uma cerimônia de Batida do Sino para ecoar os sons da paz. Com uma vista maravilhosa de onde se vê o horizonte e se sente uma paz interior muito grande os alunos tiveram a oportunidade de participar desse momento especial para propagar a paz entre as pessoas de bem. Ao final das três batidas a cerimônia foi encerrada com as seguintes palavras em português do senhor Kazumi Ogawa: “O Brasil é um país muito bom de se viver. Tem paz aqui!”

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